Seg, 24 de outubro de 2022, 17:15

Pesquisadores da UFS investigam circulação do vírus da febre amarela em Sergipe
Estudo abrange três áreas de vegetação em Poço Redondo, Capela e Aracaju
Coleta de amostras no Morro do Urubu, em Aracaju, com uso de armadilhas. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Coleta de amostras no Morro do Urubu, em Aracaju, com uso de armadilhas. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Pesquisadores do Laboratório de Entomologia e Parasitologia Tropical (LEPAT), do Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), estão concluindo a última fase de uma pesquisa que investiga a circulação do vírus da febre amarela no estado. O estudo envolve a identificação de vetores e a análise sorológica de macacos.

Coordenadora do LEPAT, a professora Roseli La Corte afirma que o projeto surgiu após a epidemia de febre amarela ocorrida no Sudeste do Brasil entre 2016-2017. À época, 261 pessoas e 1.412 macacos morreram em decorrência da doença no país, segundo o Ministério da Saúde. Sergipe, por sua vez, não tem nenhum município na lista de risco ou endêmicos.

"Foi uma epidemia que acabou se expandindo no país e ocorreram muitos casos na Bahia, com uma mortalidade muito grande de macacos, principalmente de sagüis. Então, ficou a dúvida, será se esse vírus já está circulando em Sergipe? Temos vetores silvestres no estado? Quais são esses vetores?," explica La Corte.

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Roseli La Corte coordena Laboratório de Entomologia e Parasitologia Tropical. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Roseli La Corte coordena Laboratório de Entomologia e Parasitologia Tropical. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Iniciada há dois anos, a investigação abrange três áreas de vegetação de três municípios sergipanos: Grota do Angico, em Poço Redondo, no Alto Sertão; Mata do Junco, em Capela, no Leste Sergipano; e Morro do Urubu, no Parque da Cidade, no Bairro Industrial, na Zona Norte de Aracaju.

Captura de vetores

Para identificar a presença de vetores silvestres da febre amarela nas três áreas de Caatinga e Mata Atlântica do território sergipano, os pesquisadores fizeram a captura de mosquitos e larvas dentro e no entorno da vegetação. Essa etapa começou na Grota do Angico e na Mata do Junco e, no início deste mês de outubro, foi concluída no Morro do Urubu.

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​A coleta de amostras foi feita com o uso de duas armadilhas: ovitrampas - recipiente com água instalado em árvores a 1 e 5 metros do solo - e aspirador manual - equipamento de sucção para captura de mosquitos ao ar livre.

Os resultados preliminares do trabalho não identificaram a existência de vetores silvestres da febre amarela no Morro do Urubu e na Grota do Angico. No entanto, foi possível localizar espécies silvestres na Mata do Junco.


Iracema Bispo dos Santos realiza pesquisa de mestrado no Morro do Urubu. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Iracema Bispo dos Santos realiza pesquisa de mestrado no Morro do Urubu. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

"Coletamos mosquitos tanto dentro da mata fechada para tentar encontrar espécies silvestres que se transmitem febre amarela entre os macacos, bem como fizemos a coleta em áreas de entorno para identificar mosquitos de áreas urbanas como o Aedes aegypti," aponta a mestranda em Biologia Parasitária da UFS, Iracema Bispo dos Santos.

Anticorpos em macacos

Houve também a coleta de sangue de 55 sagüis para a realização de exame sorológico. A análise do material está em andamento, em parceria com o Instituto Evandro Chagas, no Pará. O objetivo é identificar a presença de anticorpos da febre amarela, ou seja, se os primatas já tiveram contato com a doença.

"Além de saber se os mosquitos estão infectados com algum vírus de importância médica, como dengue, zika ou chikungunya, queremos mapear a biodiversidade de espécies que habitam essas áreas," explica o estudante de Ciências Biológicas da UFS, Alexandre Freitas Júnior.

Alexandre Freitas Júnior é estudante de Ciências Biológicas da UFS. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Alexandre Freitas Júnior é estudante de Ciências Biológicas da UFS. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

"Foi possível encontrar mosquitos de área urbana dentro da mata, sendo as espécies mais abundantes. Isso representa um risco até para as espécies naturais, porque elas competem entre si, sendo que as exóticas são vetores de muitas arboviroses que afetam a população," complementa a professora Roseli La Corte.

Projetos para o SUS

Com previsão de conclusão para março de 2023, a pesquisa é realizada no âmbito do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec).

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O PPSUS tem como propósito apoiar financeiramente o desenvolvimento de pesquisas científicas que visem contribuir para resolução de problemas prioritários de saúde da população brasileira e para o fortalecimento da gestão do SUS (Sistema Único de Saúde).

Josafá Neto

comunica@academico.ufs.br


Atualizado em: Seg, 24 de outubro de 2022, 17:32
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