Qua, 19 de outubro de 2022, 14:29

Estudo da UFS revela baixo controle de métricas da saúde cardiovascular em pacientes do SUS
Levantamento com 400 pacientes avaliou sete requisitos da American Heart Association
Controle da pressão arterial é uma das métricas da AHA. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Controle da pressão arterial é uma das métricas da AHA. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cada 90 segundos uma pessoa morre em decorrência de doenças cardiovasculares no Brasil. A estimativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça a importância dos cuidados com a saúde cardiovascular. No entanto, o controle de fatores de risco associados ao infarto e AVC (acidente vascular cerebral) ainda é considerado baixo. É o que atesta um estudo publicado por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) na revista científica Frontiers in Cardiovascular Medicine.

O levantamento com 400 pacientes revelou que apenas 32,5% deles tinham a saúde cardiovascular controlada, considerado o controle de, no mínimo, cinco das sete métricas da American Heart Association (AHA). Três delas são apontadas como comportamentos ideais: não fumar, praticar atividade física e fazer dieta. Outras quatro são fatores ideais: índice de massa corporal (IMC), colesterol, pressão arterial e glicose.

O estudo aponta ainda que a maioria da população avaliada (62,75%) apresentou de duas a quatro métricas controladas. Outros 4% atingiram apenas uma métrica, e 0,5% não pontuaram em nenhuma das sete. Por outro lado, apenas 0,75% dos pacientes alcançaram o nível ideal para os sete índices de controle da saúde cardiovascular.

A publicação é resultado da tese de doutorado do professor de Medicina do campus de Lagarto da UFS, Gilberto Andrade Tavares, junto ao Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), sob orientação do professor José Augusto Barreto Filho. Desde 2007, Gilberto atua como médico de base e emergencista da atenção domiciliar.

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Gilberto Tavares é médico da família e professor de Medicina da UFS. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Gilberto Tavares é médico da família e professor de Medicina da UFS. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Todos os pacientes entrevistados na pesquisa têm mais de 18 anos, são usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), e fazem acompanhamento pelo Programa de Saúde da Família em 23 unidades básicas de saúde de 20 bairros do município de Aracaju/SE.

“Identificamos que a maior parte dos pacientes não está com a pressão controlada, além de estar obesa ou no sobrepeso, que é outro risco não só para doenças cardiovasculares, mas também metabólicas e osteoarticulares, além de câncer,” ressalta Tavares.

Os resultados da pesquisa mostram que 65% dos pacientes não alcançaram o nível ideal de controle da pressão arterial, que é o principal fator de risco para infarto e AVC, por exemplo. Esse percentual sobe para 69% entre as pessoas com índice de massa corporal acima do ideal e para 90% entre aquelas que não tinham uma dieta adequada.

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“Fazer uma boa dieta é não consumir mais de 1,5 gramas de sal por dia, não tomar mais de um litro de refrigerante por semana, comer pescados, como peixes, produtos integrais. Essa é uma questão que nos preocupa bastante,” acrescenta o pesquisador.

Por outro lado, o controle do tabagismo alcançou a maior prevalência entre as pessoas (92%). Em seguida, glicose (79%), atividades físicas (70%) e colesterol (66%). Os resultados do levantamento ainda indicam que ter menos de 45 anos de idade, ser mulher, e seguir as orientações de saúde de membros da família e vizinhos têm influência positiva no monitoramento da saúde cardiovascular dos pacientes


Professor José Augusto Barreto Filho atua na Divisão de Cardiologia do HU-UFS. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Professor José Augusto Barreto Filho atua na Divisão de Cardiologia do HU-UFS. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Orientador do trabalho, o professor José Augusto Barreto Filho tem larga experiência no desenvolvimento de pesquisas na área de cardiologia e ratifica a necessidade de monitorar e controlar a saúde cardiovascular como estratégia de saúde da família.

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“Quando nos deparamos com o paciente infartado ou com acidente vascular cerebral nas emergências, provavelmente o problema não se iniciou ali, muitas vezes foi na infância e adolescência. São os fatores de risco que vão de certa forma construindo o caminho para uma doença cardiovascular prematura e uma morte cardiovascular prematura”, explica o cardiologista.

“É preciso reforçar que se atuarmos na base de forma eficiente para conseguir controlar esses fatores de risco, desde o incentivo a atividades físicas às campanhas contra o fumo, seguramente podemos vislumbrar uma sociedade com menos doenças cardiovasculares,” complementa o professor.

Josafá Neto

comunica@academico.ufs.br


Atualizado em: Qua, 19 de outubro de 2022, 14:29
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