Seg, 31 de maio de 2021, 16:18

Projeto EpiSergipe completa um ano desenvolvendo pesquisas no enfrentamento à pandemia
Parceria entre UFS e estado permite monitoramento de casos e análise de impactos sócio-econômicos
Parceria fortalece desenvolvimento de pesquisas científicas sobre covid-19. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Parceria fortalece desenvolvimento de pesquisas científicas sobre covid-19. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Há um ano, a Universidade Federal de Sergipe e o Governo de Sergipe firmaram uma parceria para acompanhar a evolução da contaminação da covid-19 e avaliar os impactos econômicos e sociais da pandemia no estado. O Projeto EpiSergipe foi anunciado no dia 25 de maio de 2020, por meio de um convênio da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese) junto à Secretaria Estadual da Saúde (SES).

Com mais de 30 produções no período, entre artigos, manuscritos, notas e relatórios, incluindo publicações em revistas internacionais de alto fator de impacto, o EpiSergipe surgiu com o propósito de fortalecer o desenvolvimento de pesquisas para o enfrentamento à crise sanitária no estado com base em conhecimento científico.

“O EpiSergipe é um marco para a ciência em nosso estado, sem precedentes. É um projeto com metas ambiciosas para ser realizado durante o período da pior pandemia do último século. O projeto colocou a UFS como referência no enfrentamento da covid-19, auxiliando nas políticas públicas e gerando um número expressivo de documentos científicos e técnicos, inclusive com repercussão internacional. Por outro lado, demonstrou que as ações da Universidade são solidárias com sua missão social e que a casa do saber e da ciência dos sergipanos é também a casa da extensão,” destaca o pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da UFS, professor Lucindo José Quintans Júnior.

Ele ainda explica como as produções científicas do EpiSergipe contribuíram para a melhoria dos indicadores da UFS em produção científica qualificada e para formação de pessoal qualificado, através de dissertações e teses em andamento relacionadas à temática da covid-19.


Lucindo Quintans é pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da UFS. Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS
Lucindo Quintans é pró-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da UFS. Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS

“Um dos indicadores internacionais de destaque é que a área de pesquisas com covid-19 já é a sétima mais relevante para UFS, segundo dados da Plataforma modular Scival (Base de dados Scopus da Elsevier). Esse indicador foi destacado no World University Rankings 2021, um dos mais renomados rankings mundiais publicado pelo Times Higher Education (THE), em que a UFS está entre as oito melhores instituições do Brasil e aparece como a melhor da região Nordeste,” acrescenta o pró-reitor.

Subprojeto: monitoração de casos

A testagem da população é uma das principais estratégias em saúde para monitorar a evolução da contaminação e buscar soluções efetivas para frear o avanço da infecção. Por isso, a ação de monitoração de casos do novo coronavírus realizou mais de 20 mil testes rápidos e sorológicos em 15 municípios, entre julho de 2020 e março de 2021.

Nesse período, foram realizadas mais de 60 viagens às zonas urbana e rural de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Canindé do São Francisco, Capela, Estância, Itabaiana, Itabaianinha, Lagarto, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora do Socorro, Porto da Folha, Propriá, São Cristovão, Simão Dias e Tobias Barreto. Essas localidades receberam a ação de testagem em três ocasiões, num intervalo de 60 dias.

A iniciativa envolve cerca de 70 pessoas, entre professores, técnicos e alunos da UFS. É o caso da estudante de Farmácia, Brenda Monteiro. "É muito gratificante estar participando desse projeto. Estamos auxiliando os municípios no diagnóstico de casos e, ao mesmo tempo, produzindo ciência a partir dos resultados gerados," conta.

+ Veja aqui os resultados das três fases de testagem

O professor de Farmácia e coordenador-geral do Projeto EpiSergipe, Adriano Antunes Araújo, chama a atenção para os resultados expressivos do inquérito epidemiológico, que apontou um aumento de 30% na taxa de soroprevalência em cada fase de testagem


Professor Adriano Antunes Araújo é o coordenador do Projeto EpiSergipe. Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS
Professor Adriano Antunes Araújo é o coordenador do Projeto EpiSergipe. Foto: Adilson Andrade/Ascom UFS

“Estudos epidemiológicos como o EpiSergipe são essenciais para enfrentar a covid-19, pois fornecem dados para os órgãos de saúde pública, permitindo caracterizar as doenças e realizar associações com o perfil de transmissão,” pontua Adriano Antunes.

Além da ação de monitoração, o caráter multidisciplinar do projeto possibilitou o desenvolvimento de pesquisas que auxiliaram diretamente os entes públicos municipal e estadual na tomada de decisões no enfrentamento à pandemia, a partir de projeções de casos e de cobertura vacinal e análises da curva epidemiológica da contaminação.

“Esses resultados auxiliam os órgãos competentes no planejamento do combate à epidemia, servindo ainda de subsidio para a adoção de estratégias de educação em saúde e prevenção da covid-19 em regiões mais críticas,” pondera o professor de Epidemiologia da UFS e membro do EpiSergipe, Paulo Ricardo Martins Filho.

+ Estudo da UFS prevê estabilização da pandemia em Sergipe a partir de julho


Pesquisa também avaliou perfil socioeconômico da população sergipana. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Pesquisa também avaliou perfil socioeconômico da população sergipana. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

Subprojeto: impactos socioeconômicos

A interrupção das atividades econômicas, por conta das medidas restritivas para conter a disseminação do novo coronavírus, ainda afeta os setores da economia, a exemplo do comércio, bem como repercute em questões de ordem social, como a criminalidade.

Para lidar com as consequências da pandemia no cenário socioeconômico do estado, um grupo de 10 pesquisadores de Economia da UFS já elaborou 10 relatórios através do EpiSergipe. Essas publicações buscam estimar os impactos da crise sanitária na arrecadação financeira e na geração de empregos, simular os efeitos do pagamento de auxílios emergenciais, e abordar os índices de criminalidade antes e durante a pandemia.

+ Relatório aponta queda de três tipos de crime em Sergipe

Para o professor de Economia e coordenador do subprojeto de impactos socioeconômicos, Luiz Carlos Ribeiro, as análises ratificam a importância da implementação de políticas públicas nesta circunstância, como a liberação do auxílio emergencial.


Luiz Carlos coordena o subprojeto de impactos socioeconômicos. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Luiz Carlos coordena o subprojeto de impactos socioeconômicos. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

"Os resultados desses relatórios puderam auxiliar o Governo de Sergipe no processo de tomada de decisões. Mais especificamente, os resultados econômicos identificaram setores e territórios de planejamento mais afetados pela crise, os quais podem ser priorizados em eventuais políticas de mitigação,” ressalta Luiz Carlos Ribeiro.

+ Estudo aponta impactos da pandemia da covid-19 na economia sergipana em 2020

Subprojeto: populações vulneráveis

Outra linha de pesquisa mobiliza 14 pesquisadores de Direito e Psicologia da UFS com foco nas populações mais vulneráveis. A abordagem envolve idosos em instituições de longa permanência, cidadãos em situação de rua, adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas de internação, e adultos em pena de privação de liberdade.

Entre os apontamentos, houve uma alerta para a necessidade de incluir a população em situação de rua no plano estadual de vacinação de contra a covid-19 e a importância da imunização dos profissionais e trabalhadores penais que atuam nos sistemas de privação de liberdade.

+ Aumento de testagem fez casos de covid-19 subirem 284% em presídios de SE


Karyna Sposato lidera pesquisas ligadas às populações mais vulneráveis. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS
Karyna Sposato lidera pesquisas ligadas às populações mais vulneráveis. Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

“Apontamos também ser imprescindível a localização e o acolhimento das pessoas em situação de rua, especialmente idosos, dada a hipervulnerabilidade em que se encontram. Como consequência, a Prefeitura de Aracaju, até o dia 30 de março de 2021, já tinha vacinado 15 idosos em situação de rua, sendo que oito deles, já haviam recebido a segunda dose”, frisa a professora de Direito e coordenadora do subprojeto de populações vulneráveis, Karyna Sposato.

+ Veja o primeiro relatório sobre condições de populações vulneráveis no contexto da pandemia

Na próxima reportagem, você vai conhecer um pouco mais sobre a atuação da Força-tarefa Covid-19 da UFS.

Josafá Neto - Rádio UFS

comunica@academico.ufs.br


Atualizado em: Ter, 01 de junho de 2021, 07:47
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